Ciência é coisa de mulher: conheça pesquisadoras do IESB

Ser cientista e ser mulher não é uma tarefa fácil no Brasil. Temos poucas representantes, elas são bem menos valorizadas do que eles e a resposta para isso é antiga e tem nome: preconceito. "Estamos em um processo de evolução. A capacidade da mulher pode ser vista na produtividade, criatividade e eficiência que elas trazem para a ciência e para a sociedade. Mas, em termos absolutos, ainda é minoritário o apreço que damos a elas, em detrimento dos volumes produzidos por homens", justifica a professora Patrícia Moscariello, coordenadora dos cursos de Engenharias e Ciência da Computação do Centro Universitário IESB.

O último Censo da Educação Superior, levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou parte dos obstáculos que as mulheres enfrentam quando se dedicam a algumas áreas do conhecimento. Apenas 13,3% das cadeiras nos bancos de Ciências Exatas e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) são ocupadas por mulheres, diante do massivo número de estudiosas nos campos de Bem-Estar e Sociedade, chegando a 88,3% das cadeiras em cursos como Serviço Social, Pedagogia e afins.

Essa disposição pode ser ainda mais incompatível com os dados divulgados pelo Ministério da Educação, em março de 2020, que revelam que as mulheres alcançaram 53% das bolsas de Mestrado e Doutorado distribuídas pelo CNPq ou pela Capes. Ainda, cerca de 72% do conteúdo total de artigos e peças científicas produzidos no Brasil são de autoria das mulheres. Então, por quê alguns cursos, como os de Engenharia, ainda não possuem muitas representantes?

A professora Any Ávila, coordenadora do curso de Direito e supervisora dos Programas de Iniciação Científica do IESB, levanta a discussão. "Toda essa reflexão caminha para o fortalecimento da existência de marcas machistas e misóginas na ciência. Discutir a questão da dominação masculina no campo científico, tende a evidenciar que dentre os diversos espaços de dominação masculina na ciência, a filosofia (especificamente no campo das Ciências Humanas e da Filosofia) se manifesta como outro lugar da marginalidade feminina", comenta.

No IESB, o combate a essa cultura está estampado nos projetos de extensão, na presença de mulheres à frente de pesquisas e trabalhos voltados para o avanço da ciência. A professora Letícia Zoby, coordenadora do Núcleo de Pesquisa Mulheres na Tecnologia do IESB, conta que o grupo nasceu para incentivar as meninas a investirem nessa área. "Para que nos uníssemos enquanto transformadoras dessa realidade. É importante divulgarmos mais os trabalhos de pesquisa realizados pelas mulheres, inclusive, na Instituição. Isso representa destacar e encorajar a presença feminina no meio acadêmico e na ciência", afirma a professora.

Estigmas do tradicionalismo

Esse preconceito não é recente. Quando começaram a frequentar os ambientes acadêmicos – no século XVI e apenas com a Revolução Francesa – as mulheres precisaram lutar contra os planos e segmentos para os quais já haviam sido designadas: doméstico, leitura, escrita básica. Tinham direito a aprender um pouco sobre cálculo para o bom andamento da vida familiar e a leitura da bíblia.

"Nós estudamos por vezes muito mais tempo que os homens, ampliamos nossas especializações e tudo mais, mas o mercado de trabalho ainda insiste em privilegiá-los, não pela capacidade ou pela experiência, mas principalmente pela disponibilidade. A mulher teoricamente é quem se compromete com as tarefas de casa, a criação dos filhos e tudo mais. Essa visão machista ainda impera em diversos setores da economia", desabafa a professora e pesquisadora do Mestrado em Direitos Sociais e Processos Reivindicatórios do IESB, Rebeca Magalhães Melo, de 45 anos. Segundo o IBGE, as mulheres representam apenas 42,8% dos brasileiros empregados, com apenas 2,4% nos cargos de chefia.

Rebeca acredita que incentivar políticas públicas e o fomento de pesquisas produzidas por mulheres, com mais divulgação dessas iniciativas, seja um dos caminhos para o avanço. "Com mais oportunidades, teremos mais mulheres preparadas para mudar o sistema e conquistar o nosso espaço. Seja atuando na pesquisa, seja ocupando cargos de trabalho", conclui.

Por Felipe Caian Dourado, com informações de Vitória Silva



Compartilhe: